segunda-feira, 22 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dicas de como fazer um FICHAMENTO DE TEXTO

O fichamento é um registro dos estudos de um livro ou texto, esse registro é feito em fichas e estas tem critérios para serem elaboradas.
O fichamento facilita a execução dos trabalhos acadêmicos e a assimilação dos conteúdos estudados.
Nosso objetivo é dar um exemplo de texto com parte de seu conteúdo fichado, e a outra parte para que o aluno exercite, sem a pretensão do rigor acadêmico que exige um fichamento. É mesmo um exercício de como facilitar o estudo e a fixação do conteúdo de textos.
Existe alguns critérios básicos para fazer um fichamento, não dá para burlar estes passos, sem eles não há fichamento, seguiríamos fazendo um resumo, e não é este o objetivo.

Primeiro passo: Fazer uma leitura de todo o texto, ou do capítulo do livro, para somente se inteirar do assunto tratado. Neste momento pode-se anotar algum vocabulário não conhecido para posterior busca de sentido no dicionário. (leitura panorâmica)

Segundo passo: Fazer uma segunda leitura, agora mais criteriosa e para isso divida o texto em partes, de um subtítulo a outro por exemplo, e a cada parágrafo vá grifando a ideia central do texto, conectando-a com a ideia de outro parágrafo e assim por diante. Alguma vezes é necessário voltar a ler o parágrafo mais de uma vez. Observe as chamadas palavras chaves, porque abrem possibilidades de ideias no texto, elas são importantes para um bom entendimento do conteúdo.

Terceiro passo: Terminado a grifagem do texto, transcreva-o tal e qual como está no livro, releia-o e verifique a ordem e a lógica fiel ao conteúdo abordado.

Esta é uma maneira de se fazer um fichamento. Quando precisar ler o texto ou o livro novamente, ficará mais rápido de recordar os dados pela releitura do fichamento do mesmo.

Fichamentos são excelentes maneiras de se entender conteúdos e fixar conhecimento.

Agora vamos ao exercício com o texto: A DISCUTIDA LIBERDADE SEXUAL. Parte dele já está fichada, termine o restante seguindo fielmente os passos citados a cima.
Texto elaborado por SCANDOLO. Júlio em 16/06/2009

A discutida liberdade sexual

Escrever sobre liberdade sexual do adolescente é uma ousadia. A fase da adolescência é tão complexa, confusa e turbulenta que complica qualquer tentativa de verdade e clareza.
Alem disto, estou consciente de que o assunto é polêmico, porque cada cabeça tem uma sentença. Qualquer afirmação ou negação, todo deslize - em favor ou contra - acirram as opiniões dos leitores já enfileirados nesta ou noutra trincheira. A preocupação aumenta porque falar em liberdade é pisar em terreno filosófico e ético. Sexo, alem de ser um termo eminentemente psicológico, mexe com ética e religião.
Com esta introdução, procuro defender-me dos adultos e escrever para os adolescentes sob o aspecto psicológico, embora não ignore as implicações no campo filosófico e religioso em que o sexo e liberdade são discutidos e julgados.

IDENTIDADE SEXUAL

É claro que a criança é uma pessoa em embrião. Que o adolescente é um projeto de adulto. Supõe um processo de efervescência, um impulso de mudanças vitais e um terreno movediço, sem estrutura, onde tudo está por ruir e tudo para começar. Perder a infância e entrar na adolescência é como deixar uma casa cheia de brinquedos e caminhar para o desconhecido. Mas aí mesmo, o recém-chegado adolescente começa a colocar raízes de crescimento, de autonomia, de independência, como dono de si mesmo, construindo sua própria casa, lenta e progressivamente. O adolescente, depara-se, então, com o impulso sexual. Aparece a genitalidade na qual os órgãos genitais assumem a libido e, aos poucos, opera-se uma modificação essencial no processo de conquista da identidade.
Esta modificação é gradual ou conforme o crescimento físico do adolescente, normalmente acompanhada pelo desenvolvimento psicológico.
Em geral o adolescente, guri-guria, é espectador desse aparecimento, no inicio, misterioso, que muda a estrutura física e psicológica. é porque a genitalidade começa a fazer parte essencial, ativa e consciente da personalidade.
Até aqui, tudo tranquilo e nenhum perigo à vista, nenhuma ofensa à psicologia, à filosofia, ao bom senso e à religião.

O QUE PENSA FREUD

Existem pensamentos dele que podem esclarecer a discussão do problema. Por exemplo, no livro "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" ele fala das transformações da puberdade, da libido narúsica em contraste com a libido objetal. Explico-me: o adolescente investe, egoisticamente, sobre si mesmo, a energia afetiva e sexual. Aos poucos, ele troca com o outro esta mesma carga afetiva, isto é, começa a se relacionar com os pais e companheiros.
Para Freud, o impulso sexual não é fixo como o dos animais. Não é do tipo da necessidade. Ele fala também da sublimação do impulso, isto é,
uma pessoa pode usar a libido para fins que não sejam a satisfação da genitalidade. A libido pode ser transformada e investida em outras metas e objetos.
A libido pode e, em geral é reprimida. E, muitas vezes, a repressão é exitosa. Ou torna a pessoa doentia.
Para Freud a repressão constitui sempre uma defesa inconsciente. Mas o pensamento de Freud vai mais longe, constatando que a repressão produz a cultura. E as artes expressam a criatividade da sublimação. Para não perder o fio da meada e da brevidade, volto a afirmar uma ideia de Freud tão querida para o meu argumento de que o exercício da genitalidade não é uma necessidade, como é a de me alimentar. Posso transar, posso adiar a transa e posso não querer transar. As três opções não criam de per si, neurose ou normalidade. Esta afirmação é geralmente aceita sem ulteriores questionamentos. Então fica mais clara a colocação de que a possibilidade de procriar não me dá imediatamente, e por si só, o direito de transar. A transa não é só do corpo, mas da pessoa toda. E a pessoa tem princípios, razões, motivos e outras implicações que vão alem da satisfação corporal. A liberdade não pode ser subjugada pelo império da satisfação, apenas. Não é porque eu quero que posso ter uma relação. Nem porque posso ter que logo tenho a liberdade de fazer. A relação implica duas pessoas e a sociedade. Nem é a idade que faz da transa o mais transcendente êxtase A simples presença do impulso e do desejo não legitimam a transa.
O argumento da necessidade de satisfação e descarga é muito fraco e míope para habilitar o adolescente ao seu exercício. E ser capaz não significa ser necessário.

O ADOLESCENTE SE FAZENDO

O que estou tentando dizer aqui é apenas a consideração de um aspecto de mudança do adolescente.
É essencial para a saúde psíquica, a conquista de identidade sexual que se obtém aos poucos. Esta conquista supõe a superação das perdas infantis, deixando de ser criança. Isto não acontece de repente. O processo de independência afetiva, de ser dono de si, de cortar o cordão umbilical, o sentimento profundo de ser ele mesmo, separado dos demais, a convicção de saber o que quer, de dar um sentido à vida, começam na adolescência e continuam pelo resto da vida.
O sentimento do valor de si mesmo, de precisar cada vez menos da opinião dos outros, de ter luz própria, isto é, saber decidir-se e agir por força de convicções pessoais, se integram na consciência da sexualidade, que solidifica e vivifica a personalidade.
O crescimento normal da sexualidade assumida como processo identificatório, como fonte da vida e entusiasmo, de comunicação e comum união, confere o sentimento de profunda consciência de si mesmo e de harmonia com a vida e consigo mesmo.
Dentro deste contexto surge também concomitantemente o inicio da responsabilidade. A capacidade de responder pelos próprios atos e de assumir o parceiro de relação numa dimensão mais plena prepara o adolescente para a transa que deve acontecer, como um gesto de esperança no futuro e segurança na entrega.
A relação se afirma então como forma profunda de comunicação, de comum união, de responsabilidade, de independência, de amor e ternura.
A entrega mútua tem repercussões que vão muito mais alem dos simples desejo e satisfação.

TRANSA E SEGURANÇA

Contra aqueles que admitem e propõem a relação sexual só como prova de machismo e brincadeira, ou como teste de investigação do próprio sexo, eu admito e propugno pela relação sexual dentro de um clima de segurança e de ternura.
A transa não é um gesto apenas individual ou restringido a dois. Não é um ato desligado do "antes" e do "depois". Pior ainda é fazer da transa um ato eminentemente narcisista, individualista e egoísta, soando mais ou menos assim: primeiro eu, depois eu, e o que sobra é meu.
Já me referi que a transa deve levar em conta fundamentalmente o "depois". O que vai acontecer depois? O que vamos fazer com a transa? Será que a pílula não substituiu a responsabilidade e aumentou apenas o número dos "transantes"? Sem nenhuma finalidade?
A liberdade sexual e a liberação do sexo trouxeram menos problemas aos adolescentes ou os desestruturam?
Um sentido de segurança social é intrínseco à relação. A certeza da responsabilidade que assume, a verdade do amor que tranquiliza, a ternura dos parceiros em relação, conferem comunhão vital aos gesto de maior comunicação profunda e humana.
Dou muita importância à transa. E porque não deveria dar?


Texto de FACHINI, Natal. revista Mundo Jovem maio de 94

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Subjetividade e graus de consciência

Embora a subjetividade se manisfeste plenamente como uma atividade que sabe de si mesma, isso não significa que a consciência esteja sempre alerta e atenta.
De um modo geral, distinguem-se os seguintes graus de consciência:
* Consciência passiva: aquela na qual temos uma vaga e uma confusa percepção de nós mesmos e do que se passa à nossa volta, como no momento em que precede o sono ou o despertar, na anestesia e, sobretudo, quando somos muito crianças ou idosos.
* Consciência vivida, mas não reflexiva: é nossa consciência afetiva, que tem a peculiaridade de ser egocêntrica, isto é, de perceber os outros e as coisas apenas a partir de nossos sentimentos, como por exemplo a criança que tropeça numa mesa e julga que ela, a mesa, fez de propósito, não separando o eu e o outro, o eu e a coisa.
* Consciência ativa e reflexiva: aquela que reconhece a diferença entre o interior e o exterior, entre si e os outros, entre si e as coisas. Esse grau de consciência é que permite a existência da consciência em suas quatro modalidades, isto é, eu, pessoa, cidadão e sujeito.
Toda a consciência, diz a fenomenologia, é sempre consciência de alguma coisa. A consciência realiza atos (perceber, lembrar, imaginar, falar, refletir, pensar) e visa a conteúdos ou significações (o percebido, o lembrado, o imaginado, o falado, o refletido, o pensado). O sujeito do conhecimento é aquele que reflete sobre as relações entre atos e significações e conhece a estrutura formada por eles ( a percepção, a imaginação, a memória, a linguagem, o pensamento).

A CONSCIÊNCIA PODE CONHECER TUDO?

Vimos que a teoria do conhecimento, distinguindo o Eu, a pessoa, o cidadão e o sujeito, assim como distinguindo graus de consciência (passiva, vivida, reflexiva) tem como centro a figura do sujeito do conhecimento, na qualidade de consciência de si reflexiva ou atividade permanente racional que conhece a si mesma.
Que acontecerá, porém se o sujeito do conhecimento descobrir que a consciência possui mais um grau, alem dos três que mencionamos e, sobretudo, quando descobrir que não se trata exatamente de mais um grau da consciência, mas de algo que a consciência desconhece e sobre o qual nunca poderá refletir diretamente? Que esse algo desconhecido ou só indiretamente conhecido, determina tudo quanto a consciência e o sujeito sentem, fazem, dizem e pensam? Em outras palavras, que sucederá quando o sujeito do conhecimento descobrir um limite intransponível chamado inconsciente?

Fragmentos de textos: CHAUI, Marilena, Convite à Filosofia,São Paulo, Ed.Ática, 1997. p.119,165.