segunda-feira, 15 de junho de 2009

Subjetividade e graus de consciência

Embora a subjetividade se manisfeste plenamente como uma atividade que sabe de si mesma, isso não significa que a consciência esteja sempre alerta e atenta.
De um modo geral, distinguem-se os seguintes graus de consciência:
* Consciência passiva: aquela na qual temos uma vaga e uma confusa percepção de nós mesmos e do que se passa à nossa volta, como no momento em que precede o sono ou o despertar, na anestesia e, sobretudo, quando somos muito crianças ou idosos.
* Consciência vivida, mas não reflexiva: é nossa consciência afetiva, que tem a peculiaridade de ser egocêntrica, isto é, de perceber os outros e as coisas apenas a partir de nossos sentimentos, como por exemplo a criança que tropeça numa mesa e julga que ela, a mesa, fez de propósito, não separando o eu e o outro, o eu e a coisa.
* Consciência ativa e reflexiva: aquela que reconhece a diferença entre o interior e o exterior, entre si e os outros, entre si e as coisas. Esse grau de consciência é que permite a existência da consciência em suas quatro modalidades, isto é, eu, pessoa, cidadão e sujeito.
Toda a consciência, diz a fenomenologia, é sempre consciência de alguma coisa. A consciência realiza atos (perceber, lembrar, imaginar, falar, refletir, pensar) e visa a conteúdos ou significações (o percebido, o lembrado, o imaginado, o falado, o refletido, o pensado). O sujeito do conhecimento é aquele que reflete sobre as relações entre atos e significações e conhece a estrutura formada por eles ( a percepção, a imaginação, a memória, a linguagem, o pensamento).

A CONSCIÊNCIA PODE CONHECER TUDO?

Vimos que a teoria do conhecimento, distinguindo o Eu, a pessoa, o cidadão e o sujeito, assim como distinguindo graus de consciência (passiva, vivida, reflexiva) tem como centro a figura do sujeito do conhecimento, na qualidade de consciência de si reflexiva ou atividade permanente racional que conhece a si mesma.
Que acontecerá, porém se o sujeito do conhecimento descobrir que a consciência possui mais um grau, alem dos três que mencionamos e, sobretudo, quando descobrir que não se trata exatamente de mais um grau da consciência, mas de algo que a consciência desconhece e sobre o qual nunca poderá refletir diretamente? Que esse algo desconhecido ou só indiretamente conhecido, determina tudo quanto a consciência e o sujeito sentem, fazem, dizem e pensam? Em outras palavras, que sucederá quando o sujeito do conhecimento descobrir um limite intransponível chamado inconsciente?

Fragmentos de textos: CHAUI, Marilena, Convite à Filosofia,São Paulo, Ed.Ática, 1997. p.119,165.

Um comentário:

  1. A consciencia só pode conhecer tudo, desde quando o inconsciente passe a ajudar nesse percepção do Tudo. Mas o que entendemos como TUDO, o que é o TUDO, realmente existe o TUDO?

    ResponderExcluir